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A criação de peixes ornamentais é uma atividade de lazer
bastante popular e costuma atrair adeptos nas mais diversas partes do mundo.
Porém, o hobby, que costuma proporcionar sensações de bem-estar,
relaxamento e harmonia, pode se tornar um verdadeiro transtorno ambiental, quando
as pessoas desistem da prática, e não descarta os animais da maneira
adequada. De acordo com o professor André Magalhães, da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG), a prática costuma ser uma crescente fonte
de disseminação de peixes não nativos em ambientes aquáticos
de diversos países. Dessa forma, pode haver a reprodução
desenfreada desses animais, resultando na modificação da fauna
local ao longo dos anos.
O simples ato de lançar os peixes criados em aquário em um rio
ou lago, por exemplo, pode dar origem a problemas que vão além
dos impactos sobre os ecossistemas marinhos e de água doce, colocando
em risco a vida das pessoas. Magalhães explica que para se desfazer
dos peixes, os aquaristas devem seguir à risca as recomendações
feitas por instituições da área ambiental. “O ideal é que
eles sejam doados ou vendidos. Caso isso não seja possível, os
animais podem ser sacrificados com o auxílio de anestésicos ou
por meio da técnica do congelamento. Por meio desses métodos,
não há sofrimento do animal”, destaca o pesquisador, autor
de um artigo sobre o assunto com os colegas Newton Pimentel de Ulhôa
Barbosa e Claudia Maria Jacobi.
“O interesse dos aquaristas pode ser afetado por problemas como o crescimento
exagerado de algumas espécies, entre elas o pacu-de-barriga-vermelha.
O comportamento agressivo de outras, como o oscar ou o apaiari, que atacam
outros peixes colocados no mesmo aquário, e a morte de exemplares, decorrente
de falhas de manutenção, também são algumas das
justificativas”, destacam no texto.
Violência
Ao desistirem do hobby, muitos acabam lançando os peixes ornamentais
nos rios ou lagos por considerarem o sacrifício dessas espécies
um ato violento, mas expor um animal criado em aquário ao ambiente natural
pode expô-lo a situações muito mais agressivas. “As
pessoas nem imaginam que, ao serem jogados nos corpos d’água,
os animais podem sofrer um mal ainda maior. Descartar esses animais no vaso
sanitário também não é a saída, pois o esgoto
de algumas cidades acabam desembocando em rios, por exemplo”, destaca.
O confinamento de peixes ornamentais para fins contemplativos é antigo.
Segundo os historiadores, o aquarismo remonta aos antigos egípcios e
romanos, desenvolvendo-se com mais força na China e no Japão
entre os anos 970 e 1279. “Hoje, o mercado mundial de peixes ornamentais
movimenta, por ano, cerca de US$ 3 bilhões. Já a indústria
de equipamentos e acessórios para aquarismo, incluindo a literatura
especializada, ultrapassa os US$ 15 bilhões”, finalizam os especialistas.
Fonte: Correio Brasiliense (26.01.10)
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